quinta-feira, setembro 02, 2004

Uma fábrica sem escoamento de produtos!

Escrevo ainda relacionado com o post que escrevi sobre os professores, alargando o problema a todas as áreas. O título deste texto é uma alegoria engraçada para o panorama actual do estado do ensino superior português. Há uma grande produção mas não há consumidor que compre. Um grande grupo económico já teria fechado esta fábrica ou teria feito uns ajustes.
É bonito ouvir da boca dos governantes que o país tem de apostar na educação, que são necessários mais licenciados. Mas para quê? Para fazer número? Para ser favorável às estatísticas do país na Europa?
Muitos licenciados, chegados ao fim de um curso, não sabem o que fazer. Estão ali saídos das universidades, prontos a trabalhar, mas não têm aonde! As áreas que têm pouca empregabilidade continuam a receber os mesmos alunos como se tivessem a mesma saída. E ninguém se preocupa em ajustar o ensino às necessidades. É deixar andar à tona. Se o panorama do ensino está como o vemos nas páginas dos jornais, nas televisões, o sentimos se conhecemos alguém, porque é que continuam a sair tantos professores das universidades? Para renovar os quadros? Ou para acrescentar o número de desempregados?
O mais caricato é que toda a gente fala disto, toda a gente se mostra preocupado e ninguém age, parece que ninguém quer resolver estas situações. Isto é que me parece muito estranho. A acomodação deve trazer alguns benefícios.
É por isto que Portugal devia ser aplaudido, que devia ser avaliado, que devia ser mostrado e não minorado pelos nossos governantes.

Parabéns Portugal!!!

Mais um ano passou, mais uma ministra envolvida, um programa informático, os sindicatos, milhares de professores, as escolas e os alunos. Parece um bom argumento para um filme (qualquer realizador serve) mas não, infelizmente, é a vida real. É a bulia que já estamos habituados a ver quando chega a esta altura do concurso dos professores. Mas o final é sempre o mesmo. Os ministros defendem-se a eles próprios, tentando resolver os problemas que os sindicatos trazem à tona.
Por sua vez, os professores colocados têm de estar de malas e bagagens prontas para se mudarem para um lugar incógnito. Os não colocados andam à deriva, na esperança que o telefone, durante o ano lectivo, toque e do outro lado digam que tem uma substituição para fazer. Os excluídos terão de repensar a vida por mais um ano. Por fim, os alunos que, no meio disto tufo, são esquecidos e andam não sei quanto tempo à espera que chegue o professor daquela disciplina que o/a Director/a de Turma diz que está para chegar. Embora não se importem muito (sabe bem um feriadito) reconhecem que fará falta, principalmente se forem do 12º, com um exame nacional para fazer no final do ano. Tudo anda à deriva neste nosso país.
Há bem pouco tempo, o país foi aplaudido pela organização do Euro2004, pela estratégia de segurança, pelos estádios, por tudo ter corrido às mil maravilhas. No entanto, não consegue organizar, ao longo de tantos anos, uma colocação de professores, uma estratégia de organização. Não acreditando que poderia haver pessoas capazes, o ministério entregou a árdua tarefa aos computadores e foi o que se viu!
Caros governadores: é hora de repensar uma estratégia que consiga levar o país para a frente porque esta vida não é só futebol!